A ESPERA

Tu, que hás de vir um dia,
por que não hoje?
meu rosto espera pronto
os dentes do teu arado.

Tu, que hás de vir um dia,
por que não hoje?
minhas mãos assistiram,
quais raízes,
a morte azul
das flores e dos ventos.

Tu, que hás de vir um dia,
por que não hoje?
antes que alguém
vibre na noite
gemidos de Chopin,
vem.

Tu, que hás de vir um dia,
o céu de maio é doloroso e belo,
as flores começam a morrer.

Vem, antes que o Scherzo
da agonia vibre
o amaríssimo clamor
dos seus acordes
e eu queira vida.

Tu, que hás de vir um dia,
por que não hoje?
É maio,
é belo o dia.

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